Haverá prova mais indestrutível, da existência de um povo, do que as suas próprias palavras, a sua poesia, a sua arte? Haverá melhor prova do carácter falacioso do slogan “uma terra sem povo para um povo sem terra”, usado por quem migrou da Europa para o Levante durante a primeira metade do século XX, do que a poesia de Ibrahim Touqan, que evitou o desgosto amoroso de ver o seu povo ser expulso de casa, ao falecer precocemente uns anos antes, de males de estômago? Fadwa seguiu as pisadas do irmão, resistiu a todos os males até se fundir com a erva e inspirou muitas mais nas décadas que se seguiram. Abdellatif Laabi enamorou-se dessas palavras e passou-as da sua língua-mãe para a sua língua-madrasta. Regina Guimarães seguiu o exemplo e verteu-as para a sua e nossa. Nós sentámo-nos à volta dessas palavras, como se fossem uma lareira no inverno e transformámo-las na maqlouba que agora vos oferecemos. Sahtein!
Beatriz Lerer Castelo - flautas de bisel, frame drums, gaita de foles, voz
Eduardo Carneiro Dias - bateria, percussão, vibrafone, piano, voz
Gil Silva - saxofones, flauta transversal, clarinete, voz
Inês Lapa - violino, piano, glockenspiel, sansula, voz
Josué - saxofones, flauta transversal, nai, guitarra, voz
Sofia Queiroz - contrabaixo, baixo eléctrico, synth bass, guitarra, percussão, voz